domingo, 23 de janeiro de 2011

O DIA QUE NOS DIVORCIAMOS DE NÓS MESMOS.

   
A palavra verdade vem do latim 'veritate'. Em nosso dicionário significa ‘conformidade com o real; exatidão, realidade; sinceridade e boa fé. Coisa verdadeira ou principio certo’. Mas na prática, a verdade é subjetiva, relativa, abstrata.
Para Nietzsche, por exemplo, a verdade é um ponto de vista. Ele não define, nem aceita a definição da verdade porque para ele não se pode alcançar uma certeza sobre isso.
Em suma, ela não existe e está relacionada acima de tudo, com suas crenças, valores, cultura, condicionamento social e psíquico.
Se a verdade não existe porque exigi-la? O que nos move em buscá-la? E por que essa incansável necessidade humana de exigir a verdade do outro? Um confronto que nunca cessa. Seria uma tentativa de fugir de nós mesmos?
De fato, há verdades estipuladas, enraizadas no nosso código genético ou em nossa condição humana, nos programando, codificando para que não escapemos dela. E que verdade é essa?
Uma verdade tão bem contada que nos faz esquecer quem realmente somos.
Uma verdade carregada de paradigmas, exigências, superstições, padrões, regras, patamares e metas quase inatingíveis.
Que verdade é essa que transformou o dinheiro em Deus?
Será a mesma que te provoca em dizer que antes você deve ganhar dinheiro para depois fazer o que gosta? Ou você será punido se fizer algo que gosta sem ganhar dinheiro?
Uma verdade que te faz crer que o merecimento vem com o sacrifício. O sacrifício de abrir mão de ser quem você realmente é.
Uma verdade que se baseia no ter e de certo, as recompensas materiais servem para que de alguma forma nos sintamos gratificados pelo fato de estarmos perdendo o que realmente nos interessa. Talvez seja o tempo que gostaríamos de ter para fazer tudo diferente, para viver de forma mais decente, esquecendo da recompensa por essa vida besta.
Uma verdade tão superficial que faz com que a imitação, a ‘boa política’ e a submissão, seja o nosso único e frágil escudo para enfrentar a exclusão.
O não tentar, com medo do errar, do falso julgamento, eis que vem o atropelo chamado arrependimento.
Seguir caminhos óbvios e já conhecidos é mais prazeroso do que o tortuoso caminho da escolha solitária. Sim, quando ouvimos a nós mesmos e seguimos nossa verdade o caminho se torna as vezes solitário, outras tantas, vulnerável. Mas há a recompensa da leveza, da autenticidade, da real sensação de liberdade, de uma estranha e enorme coragem.
Você é capaz de fugir e fingir para muitas pessoas e por muito tempo, mas jamais será capaz de fazer isso diante de você mesmo e de certo você será sempre o seu pior juiz.
Quando a mascará da perfeição cair esteja atento para se descobrir, para começar tudo de novo.
A vida é curta demais para viver as histórias, os desejos e aspirações dos outros.
Se admita, se liberte, se permita e viva a sua verdade.
Verdade? Que verdade?




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